Ansiedade de uma noite de sábado
Estou, nesse momento do fim de semana, tentando escrever um roteiro. Não entrarei em detalhes sobre o assunto, prefiro entrar nesses pormenores em momento mais adequado. Basta que saibam que estou escrevendo um roteiro. E que está sendo difícil.
Eu, quando estou inventando algo, me transformo em uma pessoa muito inquieta. Ando pela casa como um louco, falo sozinho como um louco, faço gestos largos e exagerados como qualquer louco faria. Minha respiração acelera, meus dedos ficam inquietos tamborilando no que quer que encontrem no caminho e uma fome originária da ansiedade me faz beliscar qualquer coisa que pareça remotamente comestível. Acima de tudo, me torno meio cego e surdo: as coisas ficam meio embotadas, nada parece importante a não ser o que eu esteja tentando inventar e/ou elaborar. No caso, um roteiro para um curta.
Não é divertido. Não é nada divertido, mesmo.
Às vezes eu fico me perguntando se vale a pena, isso. Querer se envolver com cinema, no Brasil. De vez em quando, acabo sendo realmente um pouco injusto comigo mesmo, e critico a mim mesmo com dureza. Me envolver com vídeo universitário: tem maior perda de tempo que isso? Se estressar desgraçadamente, tirar grana do próprio bolso, perder tempo, saúde e células cerebrais. Arrastar amigos(as) para o mesmo buraco, e juntos se afundarem na confusão e na incerteza. Se decepcionar com pessoas, depender da boa vontade de quem não quer ter boa vontade nenhuma, fazer as coisas sem ter o tempo adequado, dormir mal, comer mal, ficar mal. E para quê? Para fazer um punhado de filmes que quase ninguém vê, para receber no máximo alguns elogios de almas caridosas e só. Tantas vezes esse esforço todo parece inútil, parece fútil, parece uma grande bobagem. Sério, de vez em quando dá vontade de jogar tudo para o alto e se acomodar bem quietinho na segurança de um servicinho burocrático qualquer.
Mas esse sentimento nunca dura muito tempo. Começo a lembrar das coisas legais que aconteceram desde que resolvi embarcar nessa canoa furada, e logo me sinto bem de novo. Lembro das pessoas fantásticas que conheci, dos momentos divertidos que vivi e de como minha vida mudou desde que comecei a querer dar uma de realizador audiovisual. Não acho que eu possa desistir disso tudo, mesmo que eu quisesse - e, na moral, eu não quero. Os momentos de questionamento são frutos da ansiedade, também - mas, como a própria ansiedade que os gera, passam assim que as idéias certas aparecem e eu coloco a cabeça no lugar. A canoa pode até afundar, mas a viagem vai ter valido a pena de qualquer modo.
De mais a mais, a gente faz as coisas porque precisa fazer, porque sente que elas têm que ser feitas e porque se não for a gente a fazer ninguém fará. Então, que assim seja.
Ok, chega de auto-análise. Voltemos ao roteiro.
Eu, quando estou inventando algo, me transformo em uma pessoa muito inquieta. Ando pela casa como um louco, falo sozinho como um louco, faço gestos largos e exagerados como qualquer louco faria. Minha respiração acelera, meus dedos ficam inquietos tamborilando no que quer que encontrem no caminho e uma fome originária da ansiedade me faz beliscar qualquer coisa que pareça remotamente comestível. Acima de tudo, me torno meio cego e surdo: as coisas ficam meio embotadas, nada parece importante a não ser o que eu esteja tentando inventar e/ou elaborar. No caso, um roteiro para um curta.
Não é divertido. Não é nada divertido, mesmo.
Às vezes eu fico me perguntando se vale a pena, isso. Querer se envolver com cinema, no Brasil. De vez em quando, acabo sendo realmente um pouco injusto comigo mesmo, e critico a mim mesmo com dureza. Me envolver com vídeo universitário: tem maior perda de tempo que isso? Se estressar desgraçadamente, tirar grana do próprio bolso, perder tempo, saúde e células cerebrais. Arrastar amigos(as) para o mesmo buraco, e juntos se afundarem na confusão e na incerteza. Se decepcionar com pessoas, depender da boa vontade de quem não quer ter boa vontade nenhuma, fazer as coisas sem ter o tempo adequado, dormir mal, comer mal, ficar mal. E para quê? Para fazer um punhado de filmes que quase ninguém vê, para receber no máximo alguns elogios de almas caridosas e só. Tantas vezes esse esforço todo parece inútil, parece fútil, parece uma grande bobagem. Sério, de vez em quando dá vontade de jogar tudo para o alto e se acomodar bem quietinho na segurança de um servicinho burocrático qualquer.
Mas esse sentimento nunca dura muito tempo. Começo a lembrar das coisas legais que aconteceram desde que resolvi embarcar nessa canoa furada, e logo me sinto bem de novo. Lembro das pessoas fantásticas que conheci, dos momentos divertidos que vivi e de como minha vida mudou desde que comecei a querer dar uma de realizador audiovisual. Não acho que eu possa desistir disso tudo, mesmo que eu quisesse - e, na moral, eu não quero. Os momentos de questionamento são frutos da ansiedade, também - mas, como a própria ansiedade que os gera, passam assim que as idéias certas aparecem e eu coloco a cabeça no lugar. A canoa pode até afundar, mas a viagem vai ter valido a pena de qualquer modo.
De mais a mais, a gente faz as coisas porque precisa fazer, porque sente que elas têm que ser feitas e porque se não for a gente a fazer ninguém fará. Então, que assim seja.
Ok, chega de auto-análise. Voltemos ao roteiro.
Eu acho que tu me falou desse roteiro no Porto 10. Eu não tava desinteressado, nem bêbado. Mas eu não lembro. E nem sei se a gente tá falando do mesmo roteiro.
E só retificando o que eu falei: vocês, pessoas que gostam de fazer cinema, são completamente malucas. MALUCAS!
Posted by
::Pensamentos Efêmeros:: |
2:57 PM
ontem eu pensei numa frase que, caso ninguém tenha pensado nela antes, é genial. até anotei na minha caderneta pra não esquecer: enquanto houver moinhos de vento, sempre haverá quixotes para desafiá-los.
abraço, e bom fim de semana.
Posted by
Cristiano Muniz |
9:34 AM